sábado, 15 de março de 2014

DÁ-ME A TUA MÃO

Dá-me a tua mão Clarice Lispector Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

SONHE

Sonhe Clarice Lispector Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A vida não pode ser simples


Senhora!
Fosse a vida como tu a dizes:
“Simples!” Mas, se fosse o caso,
Seriam infelizes
Todos os destinados a viver.
Porque o acto de não estar morto
Não seria igual ao de viver!

Senhora… não seja essa a vossa vontade
Viva numa sã realidade
Onde os problemas, os dilemas,
As soluções complexas
São caminhos a tomar,
Caminhos cheios de curvas
Ladeados por placas mudas
Sem setas para orientar.
Caminhos que escolhem
E que fazem a nossa vida.
As escolhas movem
A nossa realidade,
As escolhas são vida!
Sem escolhas não há problemas
Sem problemas não há curvas.
Sem curvas não podes viver… - Wiscat

Insanidade perfeita


Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poetisa...

(ConceiçãoB)

A dor do que nunca será


Mundo feio que me magoa…
Num breve instante
O meu ser voa
Tentando fugir…

Contaram-me de fadas
De dragões e cavaleiros.
Contarem-me de príncipes
E de grandes reinos…
Olho para o que tenho
E tenho nada!
E os meus dragões são pintados…
Os cavalheiros chacinados,
Os príncipes esquecidos
E os meus reinos perdidos…

Conta-me mais uma história
Para eu poder fingir!
Dá-me mais um tempo,
Dá-me mais um conto…
Uma história irreal
Que farei realidade…
Dá-me uma mentira
E achá-la-ei verdade…

Só quero fingir
Fechar os olhos e voar
Ao som de uma música
Que alguém toca…
Quero levantar bem alto
Uma espada cheia de magia
E sentir em mim alegria
Da vitória e da conquista…

Tenho tantos nomes
Nessa terra de maravilhas.
E sozinha corto milhas
De desespero, para ser recebida
Numa cozinha cheia de gente,
Que me amam e respeitam…
Almas nobres e diferentes
Que me velam em braços quentes.
Que só me querem proteger…
Gente que só na minha mente
Pode haver.
Wiscat

O meu nome sou eu


O meu nome é um segredo
A ninguém ele se diz.
Pois ninguém o sabe…
O meu nome é sombras
É vento, luz e água,
É esquecido e é mágoa.

O meu nome é tempo.
É velho, é passado é futuro.
O meu nome é triste
É contente.
É ausente e presente.
É tudo do nada que sou.
É uma ave que foi e não tornou.

O meu nome…
É como a neve
Vem e derrete,
Para voltar a vir.
O meu nome é breve.
É uma andorinha leve
Que anuncia o inverno… - Wiscat