terça-feira, 23 de agosto de 2011

A vida não pode ser simples


Senhora!
Fosse a vida como tu a dizes:
“Simples!” Mas, se fosse o caso,
Seriam infelizes
Todos os destinados a viver.
Porque o acto de não estar morto
Não seria igual ao de viver!

Senhora… não seja essa a vossa vontade
Viva numa sã realidade
Onde os problemas, os dilemas,
As soluções complexas
São caminhos a tomar,
Caminhos cheios de curvas
Ladeados por placas mudas
Sem setas para orientar.
Caminhos que escolhem
E que fazem a nossa vida.
As escolhas movem
A nossa realidade,
As escolhas são vida!
Sem escolhas não há problemas
Sem problemas não há curvas.
Sem curvas não podes viver… - Wiscat

Insanidade perfeita


Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poetisa...

(ConceiçãoB)

A dor do que nunca será


Mundo feio que me magoa…
Num breve instante
O meu ser voa
Tentando fugir…

Contaram-me de fadas
De dragões e cavaleiros.
Contarem-me de príncipes
E de grandes reinos…
Olho para o que tenho
E tenho nada!
E os meus dragões são pintados…
Os cavalheiros chacinados,
Os príncipes esquecidos
E os meus reinos perdidos…

Conta-me mais uma história
Para eu poder fingir!
Dá-me mais um tempo,
Dá-me mais um conto…
Uma história irreal
Que farei realidade…
Dá-me uma mentira
E achá-la-ei verdade…

Só quero fingir
Fechar os olhos e voar
Ao som de uma música
Que alguém toca…
Quero levantar bem alto
Uma espada cheia de magia
E sentir em mim alegria
Da vitória e da conquista…

Tenho tantos nomes
Nessa terra de maravilhas.
E sozinha corto milhas
De desespero, para ser recebida
Numa cozinha cheia de gente,
Que me amam e respeitam…
Almas nobres e diferentes
Que me velam em braços quentes.
Que só me querem proteger…
Gente que só na minha mente
Pode haver.
Wiscat

O meu nome sou eu


O meu nome é um segredo
A ninguém ele se diz.
Pois ninguém o sabe…
O meu nome é sombras
É vento, luz e água,
É esquecido e é mágoa.

O meu nome é tempo.
É velho, é passado é futuro.
O meu nome é triste
É contente.
É ausente e presente.
É tudo do nada que sou.
É uma ave que foi e não tornou.

O meu nome…
É como a neve
Vem e derrete,
Para voltar a vir.
O meu nome é breve.
É uma andorinha leve
Que anuncia o inverno… - Wiscat

Não me tentam compreender


Não me escondo,
Não me deixo pisar,
Não sigo multidões
E não forço o amar!

Não o faço nem nunca o farei
Só para me integrar,
Sou livre e sempre serei…
Sigo-me a mim e posso sonhar.

Como eles não sou,
Fazem tudo por serem aceites,
Pelo meu caminho vou
Se não gostam, não venham…

Por que eu não mudo
Pelo amor de alguém que não me compreende!
Eu não me iludo
Com falsas amizades.

Eles dizem que sou bruta…
Anti-social!
Mas quando há luta.
Chamar-me nunca fica mal.

Só me ouvem quando convem.
Só existo quando o problema vem,
No resto do tempo sou uma sombra
Que está demasiado longe…

É o que eles dizem, é o que pensam,
É disso que se tentam convencer.
Mas a verdade sei-a eu
Eles não me tentam compreender –(Wiscat ^..^)

A farsa da vida


Levanto-me da cama
Sem saber que máscara pôr.
Imagino como será o dia
Terei motivos felizes?
Terei razões chorosas?
Irei desenhar algo novo?
Oh… quero lá saber…
Seja eu o que de mim quiser o povo!
Melhor! Seja eu o que eu quero!
Porque tenho essa possibilidade:
Pôr uma máscara alegre
E semear falsidade
Logrando todos em volta
Aparentando algo não o sendo
Fingindo-me contente
Leviana e dispersa.
Como quem mente
Mas cumpre a promessa.

E se há alturas felizes
Por assim os outros precisarem
Que me sinta eu triste
Para outros não me chatearem!
Se lhes dói porei a máscara de pena
Se lhes arde a de aflição
Mas é tudo mentira
Porque é oco o meu coração!

Que se enganem esses
Para eu poder ser feliz
Porque se eles estão bem
Não me chateiam
Se gostam de mim
Não me incomodam
Posso retirar-me para as sombras
E ser quem eu não sei
Porque eu… não sou ninguém
Sou uma sombra apagada
Daquilo a que me convém
Wiscat



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

COMO É BOM SER GATO


Como é bom ser gato!

Gatos, aparentemente mansos e inquietantemente calmos, podem
subir em árvores, confiar numa mão desconhecida com pão, mingau de arroz ou
um prato improvisado transbordando leite.

Como é bom ser gato!

De noite, até os pardos, podem mudar os canais só por
encostarem-se nas antenas de TV. Seus olhares, de gato, verticais, vêm a
cidade de cima como se os telhados fossem horizontais. E, ao sentirem um
ronronar na esquina, onde a luz do poste veste néon, viram cinza mesmo que
chova, armam a cabeça do pénis qual um guarda-chuva que arranha, batem e
apanham no mais inquieto momento de amor.

Como é bom ser gato!

De tarde, até os brancos, com jeito de sacana, deixam-se
acarinhar pelas avós com mais de sessenta anos. Não há mais tricô nem
novelos. No ar um som de um romantismo caipira e uma vontade suicida
enquanto a música acontecer. Ainda bem que gatos têm sete vidas.

Como é bom gato ser!

Podem fumar, comer a vontade, beber sem se preocupar se o pulmão
está perfeito, o estômago comportado ou o fígado regenerado. Apesar do
entendimento de saber o quanto é maravilhoso ser gato, é necessário ter
muito cuidado, até os negros, com as noites das sextas-feiras, com as
escadas, com os pés desumanos que pisam sem a mesma maciez das suas patas.

Como ser gato é bom!

Precisam ter muito cuidado ao perceber que as gatas até falam.
Driblarem com o corpo os dizeres românticos das que esperam duplex: um
telhado revestido com boas telhas de piso e um sótão próximo do céu.

Como é bom ser gato!

A única coisa permanente nos hábitos desses estranhos
vira-latas, é saber, mesmo inconsciente, que outros donos chegarão e
aplacarão, momentaneamente, todas as sete fomes

Como é bom ser gato!

Mesmo sem residência fixa, todos são bem achados não importa
aonde: seja na rua, na sala, no tecto ou no porão.

Blinda Alvorada