sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

ERA UM DIA


Era um dia de Primavera. Sentia-se no ar que a vida começava a desabrochar. As ervas brotavam nos campos. As flores espreguiçavam as suas pétalas. As abelhas preparavam os seus exércitos de operárias para a industrialização do seu mel. Nos ninhos, ouvia-se um doce chilrear saídos de uns biquitos que começavam inquietamente a despontar para a vida e que aguardavam com ansiedade os pedacitos de alimento que os seus progenitores lhes haveriam de trazer. Tudo era paz e ânsia de viver.

Era um dia de Verão. Os frutos amadureceram saciando algumas bocas e outros caíram no chão com o seu já maduro peso, acabando debicados por aves e vermes. O calor era intenso, tudo era doce e quente e as férias convidavam ao lazer e ao amor.

Era um dia de Outono. As árvores decoraram-se de quentes cores de castanho, amarelo e vermelho. O frio e o vento chegaram e, as folhas caíram cobrindo todo o solo como se ali existisse um extenso tapete. Tudo convidava ao sonho e à melancolia.

Era um dia de Inverno. As chuvas alagaram as fortes e profundas raízes das árvores, os rios alargaram os seus caudais. O frio transformou-se num manto de neve e apenas o espectro dos troncos das árvores e dos seus galhos deixavam aperceber as suas formas. A solidão estava. Tudo era frio e vazio.
MAM

Nenhum comentário: