

Quando em Agosto de 99, fomos de férias para Sesimbra, a Pachá era já uma apetitosa adolescente, pois eu bem percebia que ali à volta do quintal um enorme gatão esperava uma oportunidade para ficar a sós com ela. Na minha boa fé, pensei que isso não a afastaria ali de casa por isso lhe dei toda a liberdade.
Um dia em que fui um pouco até à praia, deixei um postigo aberto e quando cheguei tive um dos maiores desgostos da minha vida de dona de uma gata. Chamei, procurei, gritei, andei às voltas pelos arredores da casa, mas ... nem sinal da Pachá. Veio a noite e eu sempre muito chorosa, receava que ela tivesse sido atropelada ou raptada. Passeei as bermas da estrada, nenhum indício da minha companheira e amiga – ou não seria? Teria ido mesmo embora, de livre vontade? Passei a noite entre a cama e as janelas. Deixei alguma comida do lado de fora, não fosse ela aparecer e ter fome. No dia seguinte, o prato estava limpo. Fiquei cheia de esperança. Continuei a chamá-la e a procurá-la. Daí a pouco ouvi miar. Era o gato, que provavelmente vinha em busca de mais comida. Eu, já tinha combinado ir jantar a casa de uns amigos. Enquanto regava o quintal, ía gritando pela Pachá. Podia ser que se estivesse perdida e ouvisse a minha voz viesse ao meu encontro. Mas... nada!
Fui jantar a casa dos meus amigos, com a lagrimazinha sempre no canto do olho e, confesso que estava até desejosa que o jantar terminasse para vir para casa esperar a minha gata.
Quando cheguei a casa, a primeira coisa que fiz foi dar uma volta ao quintal e à casa, chamei-a tão angustiadamente que, quando ouvi um miar por resposta vindo do lado de fora do muro, eu quase o galguei e as lágrimas corriam-me. A Pachá estava ali!
Entrou em casa e parecia-me assustada. Foi-se deitar, não comeu e quis ficar sozinha. Apesar de me apetecer abraçá-la, respeitei a sua vontade. Estava tão feliz por ela ter regressado.
No dia seguinte, tudo aparentava ter voltado ao normal. Mas, ao fim da tarde, ao ouvir uma grande algazarra no quintal fui ver. A Pachá corria para cima do muro e o gato desaparecia através das grades do portão. Fui buscá-la, estava assustada. Verifiquei então que aquele encontro entre eles não fora um encontro casual.
A partir desse dia a vida da Pachá iria modificar. Deixou de ter crises de cio e começou a engordar um pouco, em especial na barriga. Eu nunca presenciara uma gravidez de gata, apesar de não ter uma grande barriga e não ter a certeza se era ou não gravidez, esta eventual situação era para mim uma total novidade.
Passaram quase dois meses e, quando um dia cheguei a casa, havia uma posta de sangue no chão. Pensei: se calhar isto é normal e se estava grávida deve ter perdido os bébés. Fiquei preocupada mas fiquei a aguardar.
Dois dias depois, num Sábado, 30 de Outubro de 1999, tive uma reunião de condomínio, após o que nos e juntámos alguns amigos para almoçar fora. Mas, eu continuava preocupada. E se houvesse algum problema com a Pachá? Do Restaurante, resolvi telefonar à veterinária. Acabou por me informar de que o tempo de gravidez de uma gata é de 56 dias e não de 4 meses, como eu pensava. Aconselhou-me a regressar a casa, pois poderia ser necessária, visto aquele ser o primeiro parto da Pachá. Almocei o mais rapidamente que me foi possível. E quando cheguei a casa eram quase três horas da tarde.
Corri para a cama da Pachá e, bem juntinho a ela estava um ser tão pequenino que me fez emocionar, era branco com umas pequenas manchas castanhas e tinha sensivelmente uns oito ou dez centímetros, creio.
Estava muito limpinho e não havia qualquer vestígio do parto, ela tinha feito todo o trabalho.
E eu não estava ali quando ele chegou !... Tive tanta pena ! Já não saí de casa nesse dia, fiquei à espera de outros partos, pois sempre ouvi dizer que as gatas tinham sempre ninhadas e muito raramente pariam apenas uma cria. Fiquei o resto do dia a “adorar” aquele cenário tão lindo e tão terno.
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